quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Não terceirize seu filho

Conciliar as funções de cuidar do filho e trabalhar fora não é uma tarefa fácil. A gente sabe como a vida é corrida e como isso acaba acontecendo com mais frequência do que gostaríamos, mas crianças aos cuidados de babás e creches por muito tempo podem ter seu desenvolvimento intelectual e afetivo prejudicado. Para construir pessoas criativas, é preciso atenção… não tem outro jeito. Conversamos com o José Martins Filho, autor do livro A Criança Terceirizada, e ele alerta sobre a falta que faz o afeto dos pais nos primeiros anos de vida. Veja:

Quais os principais problemas que uma criança “terceirizada” pode apresentar?

É difícil dizer quais problemas se devem à terceirização porque existem vários graus de abandono. É diferente a criança que passa meio dia na creche daquela que vai às 7 da manhã e volta à noite. Estamos falando de bebês de menos de dois anos. Isso é traumático! Muitos psicólogos e educadores falam que a falta de afeto pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e até o crescimento físico. Claro que estes são casos extremos, mas o afeto é tão importante quanto comida. A mudança constante de quem cuida da criança é um fator altamente estressante e desestabilizador emocionalmente. Existem ainda dificuldades alimentares, ausência de limites e de segurança.

Tem idéia das conseqüências que essa falta de afeto pode causar quando essas crianças crescerem?

Há um livro muito interessante do Dr. Antonio Marcio Lisboa, A Primeira Infância e as Raízes da Violência (LGE Editora, Brasília), que fala que a gênese da violência pode estar na primeira infância, em crianças que foram abandonadas e cresceram distanciadas dos pais. Estou convencido disso.

Muitas mulheres precisam trabalhar fora para ajudar no sustento da família e, por isso, contam com a ajuda de babás e creches para tomar conta dos filhos. Como fazer para que a ajuda de profissionais seja benéfica – e não prejudicial – às crianças?

As babás não podem substituir as mães, tem que ser auxiliares. Se a mãe precisa trabalhar, use ao máximo a licença gestante de seis meses, emende mais um mês de férias e tente priorizar a atenção com a criança. Coloque o filho na frente de suas aspirações profissionais pelo menos nos primeiros anos de vida. Esteja sempre presente na escola, no pediatra, ajude-o nas tarefas escolares. Ou seja, não deixe de ser mãe ou pai, usando o trabalho como desculpa. Os filhos precisam desse apoio e desse carinho.

No livro, você prega a maternidade e paternidade conscientes. Em sua opinião, o que os jovens pais precisam saber antes de decidir ter um filho?

É preciso ter consciência da responsabilidade que um novo ser traz para os pais. Os gastos financeiros, a necessidade de presença e, principalmente, a mudança na vida conjugal. Pais muito jovens às vezes não se dão conta que as crianças acordam à noite, tem febre, diarréia, medo e precisam de atenção. Não inventaram nada melhor que o carinho da mãe numa noite escura quando se acorda assustado.

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